quarta-feira, 2 de outubro de 2013

Buried Secrets - Capítulo 2


Capítulo 2

Eram duas da manhã e ainda não tinha conseguido pregar olho. Não conseguia deixar de olhar para a janela e para a porta do meu quarto ao mesmo tempo que ficava atenta a qualquer tipo de som que não me fosse familiar. Assim que entrei em casa, depois de correr escadas acima que nem uma maluca enquanto tinha o coração nas mãos e suores frios a formarem-se sobre a minha pele, pensei seriamente em contar aos meus pais o que se tinha passado, mas essa ideia desapareceu tão depressa quanto surgiu assim que no segundo seguinte senti o meu telemóvel a vibrar no meu bolso das calças e vi que se tratava de uma SMS de um número desconhecido a dizer: “Mantem a boca fechada, decerto não queres envolver os outros na nossa pequena diversão…”
Nunca me senti tão assustada e insegura em toda a minha vida, isso é certo. Pensei nos meus dias nestas duas últimas semanas e tenho a certeza que não me cruzei ou falei com alguém desconhecido, por isso, provavelmente, devo conhecer este psicopata, agora a questão é quem é ele?
Voltei a virar-me na cama, com a mesma atenção e cautela que não largava o meu sistema nervoso desde que chegara a casa. A minha grande vontade era sair a correr do meu quarto e ir ao dos meus pais para contar tudo, mas aquela mensagem apesar de vaga tinha sido extremamente clara, se da minha boca escapasse sequer uma palavra sobre isto, os meus pais ou os meus amigos, ou ate mesmo eles todos, iriam sofrer por minha culpa, e eu não queria arriscar. Eu podia contar e os meus pais ligavam logo para a policia, mas tal como o psicopata sabia o meu numero e onde eu vivo, é provável que também saiba onde os meus amigos vivem e tenha os números deles, e também não vou riscar a hipótese de estar sobre escuta…vou-me manter calada e pensar melhor sobre o assunto, isto se não for raptada esta noite ou morta assim que por os pés fora de casa.
“Agora estás a ser paranóica Reyna” pensei, mas nunca é demais ser cuidadosa e pensar em todos os cenários possíveis.
Observei o meu despertador marcar 04:17 e foi nesse momento que comecei a apagar-me como uma luz, as minhas pálpebras a ficarem cada vez mais pesadas e o meu corpo a relaxar contra a minha vontade até que, finalmente, caí num sono profundo.

****

“Anna, onde é que meteste a chave do mercedes?”, Ouvi o meu pai dizer em plenos pulmões para a minha mãe o conseguir ouvir, fosse qual fosse a divisão da casa em que ela estivesse.
Dei mais uma volta na cama, com os lenções quase arrancados e com a minha almofada no chão. God knows, as voltas que eu devo ter dado durante a noite para ter a cama no estado em que estava.
Pisquei os olhos mais umas quantas vezes e olhei para o meu despertador. Já eram duas da tarde e de certeza que tinha mensagens da Jade e do resto do pessoal a perguntar por planos para hoje. Com um longo e grande suspiro levantei-me da cama e dirigi-me aos zing zangs para a casa de banho com a esperança de que um refrescante banho fosse o suficiente para fazer a cara de zombie, que tinha de certeza, desaparecer. 
Entretanto, enquanto água meio quente e meio fria pode fazer uma pessoa acordar e relaxar, não pode lavar do cérebro os problemas ou fazê-los desaparecer.  Por agora ia começar a andar com o convenientemente prestável gás pimenta que o meu pai demasiado protector me deu quando fiz dezasseis anos, para quando fosse sair à noite… e talvez acrescente uma pequena navalha, nunca se sabe.
“Reyna, filhota, estás acordada?” Perguntou-me a minha mãe, dando uma pequena batida na porta antes de abri-la um cadinho para espreitar.
“Bom dia, mãe” disse enquanto calçava umas sandálias, já quase despachada para ir ter com a Jade, que se tinha dado ao trabalho de me ligar umas quatro vezes e mandando duas SMS, praticamente com o mesmo contexto, por volta das onze.
“Bom dia. Eu vinha-te acordar, tens o Cade na sala à tua espera.” E com isto fez um pequeno sorriso e fechou a porta.
Pus rapidamente o meu telemóvel e chaves de casa dentro da minha pequena mala e fui para a sala, onde o Cade se encontrava sentado no sofá, com dedos das mãos entrelaçados e uma expressão muito séria. Um pequeno alarme na minha cabeça começou a dar sinal longo no segundo a seguir. Obvio que a primeira coisa que me veio a cabeça foi que o psicopata também tinha entrado em “contacto” com o Cade, mas então lembrei que antes disso havia os problemas que ele tem andado a ter em casa. A mãe dele começou a beber e ultimamente tem gritado com o pai sempre que este chegava a casa. Para mim foi difícil de acreditar, uma vez que os pais dele sempre me pareceram o casal perfeito, sempre muito apaixonados, simpáticos e hospitaleiros, por isso foi preciso ver a senhora Montgomery começar aos berros e a partir tudo o que estivesse ao seu alcance assim que o pai do Cade chegou a casa à meia-noite numa sexta-feira…Nessa altura inventei que tinha que ir para casa, que a minha mãe já estava a minha espera e voei dali pra fora, mas não sei levar o Cade comigo.
Fechei os olhos para parar a recordação daquele dia e sentei-me lentamente ao lado dele, pondo a minha mão sobre o seu ombro de forma a dizer-lhe silenciosamente que o queria reconfortar. Eu nunca fui e, provavelmente, nunca serei boa nisto de conforto físico e verbal. Os meus pais discutem todos os dias, e depois há outras coisas na minha família que me deixam quase sem sanidade, mas nunca me atrevi a falar sobre tais assuntos com quem quer se que seja...Bem a não ser com aquela certa pessoa... Mas tirando essa excepção, acho que posso dizer que tenho o mau hábito de grande parte das vezes guardar as coisas para mim e de sofrer em silêncio, por isso quando se trata de confortar os outros acabo por não ter a certeza do que fazer porque eu nunca fui confortada por alguém, pelo menos não no que toca a assuntos familiares.
“Hey buddie, o que se passa?” Perguntei numa voz calma e meiga, enquanto observava-o a encostar-se no sofá e virar a sua atenção para mim. Ele tinha os olhos com aquele ar de quem estava prestes a chorar, com muita tristeza escondida neles. Não sei o que me deu, mas estiquei os meus braços na direcção dele e abracei-o enquanto dava-lhe leves festas nas costas e dizia coisas como “Tem calma, respira, seja o que for que se passa, tudo vai ficar bem.”
Ficamos assim por um bocado, comigo a tentar encontrar palavras encorajadoras que pudessem fazê-lo sentir-se melhor, e ele agarrado a mim como se eu fosse a sua linha de salvamento, deixando-me seriamente preocupada. Passaram-se mais uns minutos até que Cade finalmente encontrou forças e a calma suficiente para explicar-me o que se tinha passado, e tal como eu suspeitava, tinha a ver com a mãe. Desta vez ela tinha ido longe de mais, até eu não queria mesmo nada acreditar no que ouvia…
“Ainda custa-me a crer que ela faria isso…” Comentei, respirando fundo e também encostando-me ao sofá.
“Pois, a mim não…Ela tem andado maluca nestes últimos tempos, e para mim isto foi a gota de água, eu já não aguento mais Reyna, vê-la a atirar as roupas dele para o corredor e dizer que o queria fora de casa ainda hoje… Só me apetece ir para bem longe disto tudo, sabes? Não quero ficar e ver a minha vida a dar uma volta de 180º, não quero ver os meus pais separarem-se, não quero ver a minha mãe ficar ainda mais louca…”
Nem um psicólogo o podia ajudar quanto mais eu, problemas familiares são aquele tema em que temos de ser nos próprios a aprender a lidar com a situação e como aguenta-la sem perdermos a cabeça. A única coisa que posso fazer para é ouvi-lo, aconselhá-lo e ajudá-lo a distrair-se dos problemas que o rodeiam, e é exactamente isso que tenciono fazer, mas não deixo de sentir, de pensar, que o que posso fazer é mesmo muito pouco e que eu deveria conseguir fazer muito mais.
“Talvez a tua mãe não esteja propriamente a ficar louca, se calhar tem razões para estar a agir nesta maneira…Até agora a única coisa que me vem à cabeça é a possibilidade de o teu pai andar a trai-la e ela ter descoberto,  por isso é que tem agido assim…Mas na minha opinião, se quiseres saber, eu acho que devias deixá-los entenderem-se. O que se anda a passar é um assunto entre eles…É claro que a decisão e atitudes que eles tomarem vão afectar-te, mas é a vida deles, por isso o mínimo que podes fazer é tentar fazer vista grossa, não pensares muito no assunto e deixares andar, pois eventualmente as coisas vão tornar-se mais toleráveis com o tempo. É como dizem, depois da tempestade vem a bonança.” Disse enquanto olhava-o nos olhos e via a atenção que ele dava ao que eu ia dizendo, como se estivesse seriamente a ponderar se eu tinha razão no que dizia ou não.
“Entretanto, que tal se fossemos ao cinema, finalmente saiu um filme que eu estava há séculos à espera que saísse! Eu já tinha coisas combinadas com a Jade, mas que se lixe. Tu bem que estas a precisar de uma boa dose de riso.”
Ele suspirou, relaxou os ombros e então levantou-se do sofá, com um sorriso nos lábios que contrariava o que os olhos expressavam, mas pelo menos estava a tentar.


****

“E aquela parte em que ele entra no quarto deles e pensa que eles os dois estão numa de S&M? Só a cara que ele fez!” Relembrava-me ele, enquanto saímos pelas portas da sala de cinema a rir às gargalhas que nem uns perdidos.
“Essa foi a melhor de todas! Eu quase que tive de ir a casa de banho de tanto rir.”
E continuamos a rir durante um belo bocado, apesar de as pessoas à nossa volta ficarem a olhar como se fossemos uns maluquinhos, mas eu não quis saber. O Cade estava finalmente a divertir-se.
“Ah, devíamos fazer isto mais vezes.” O riso morreu nos meus lábios e o alarme voltou a soar na minha cabeça. O tom de voz que ele usou para dizer aquilo…the shit got serious…
“Sim, se bem que quantos mais melhor.” Disse fazendo um grande esforço para não parecer tão séria. Aquelas palavras tinham sido algo mais do que um simples alívio por estar longe dos problemas, tenho a certeza, eu conheço aquele tom…
“Eu sei, mas só nós os dois também é bom. Mesmo muito bom...” Murmurou, focando o olhar no chão. Ele estava com receio de olhar-me na cara, sobretudo porque sabia que eu não sou capaz de lhe dar a reacção e a resposta que ele quer. Nós somos como irmãos um para o outro, mas o Cade sempre sentiu algo mais, ele próprio admitiu isso há um mês atrás antes de eu ter começado a namorar com o Matt. Na altura não pude fazer nada se não dar-lhe tampa e tentar manter a nossa amizade, mas ultimamente cenas como estas de “ser só nós os dois é melhor do que estar com um monte de gente” têm acontecido com cada vez mais frequência.
Fico sem outra opção se não desviar o assunto ou afastar-me de forma discreta, por muito que odeie ter que agir dessa maneira.
Olhei para o relógio no meu pulso e preparei-me para dizer as inocentes palavras que, quer eu queira, quer não, iam magoá-lo.
“ Cade pára, por favor.” Pedi, numa forma fria e firme enquanto na verdade por dentro sentia-me como se fosse a pior pessoa existente naquele momento, uma autêntica cabra e não menos do que isso. “Já está a ficar tarde. É melhor irmos andando, o último autocarro de volta deve estar quase a chegar.” Olhei para ele e vi o quão triste e magoado ele tinha ficado antes de sentenciar-me a fazer uma viagem de volta para casa num ambiente de silêncio constrangedor, a amaldiçoar-me a mim mesma por o ter magoado, por não conseguir sentir o mesmo por ele e sobretudo por não saber o que fazer para que ele não olhasse para mim com aqueles olhos castanhos a mostrar a dor pela qual eu era agora uma das causas.
“Desculpa…” Disse quase como num suspiro, ficando na dúvida se ele tinha-me ouvido ou não.
“Pelo quê? Eu sei que só me vês como um amigo, se bem que sempre tive uma pequena esperança que isso mudasse quando te disse como me sentia. Enfim, a responsabilidade de eu estar assim não é tua, por isso tira esse ar de culpa.” Engraçado como o que ele disse poderia ter ajudado a sentir-me menos mal comigo mesma se o tom usado tivesse sido mais amigável e menos ressentido, mas isso já seria pedir muito…
 “Como é que vais fazer em relação a teres de voltar para casa? Eu sei que a última coisa que queres fazer é ter que voltar para lá. Ouve, se quiseres podes ficar a dormir na minha sala e convido a Jade e o Thomas para passarem lá a noite. Fazemos uma espécie de mini-festa. O que achas?”
“Eu acho que vou mandar um SMS ao Thomas a ver se posso dormir na casa dele hoje. Não leves a mal Reyna, mas eu preciso de estar sozinho, e a tampa que me deste a bocado…também vou precisar de espaço para engolir isso. ”
Não pude fazer mais nada a não ser concordar e permanecer calada o resto da viagem. Quase que me apetecia dizer que esta semana não podia correr pior, quanto mais o resto deste dia, mas na verdade isso era tudo menos impossível…

terça-feira, 24 de setembro de 2013

The Truth


The Truth 

 
 
Hey there! So today I decided to write in english, since it is a language that everybody can understand and it's the easiest way to comunicate with people world-wide.
Today I'm not gonna post the new chapter of the book that I'm writting, instead I'm going to talk about a topic that every heterosexual girl in the world thinks about in her daily basis, and that is, guess what, boys! Macho men, womanizers, shy, misterious, funny, stupid, bad and friendly men. We, girls, have seen and known all possible existing types, and we still dare to say that we don't understand them and what the hell goes through their heads, and I'm not talking about the head they have between their legs, let's forget that one little fact about them for now, deal?
So here is what I've been thinking about a lot today. And please don't be shocked if you are a girl, but men are quite easy to understand in my point of view! They aren't drama queens, they don't have sudden changes of mood, like we have every month ( lucky bastards, I have to say -.-) and when they aren't busy trying to be "macho men", they can be really sweet and pleasant to talk to.
I admit I have said a lot of times that I don't understand them, but only because at those times I didn't wanted to see what was obvious and clear to everybody except for me. Sure, the ones who play mind games are tricky and sometimes you just realise how they really are when you are already heart broken and in pain.
But there's no need to...ok I will go straight to the point and stop stalling and running around in circles with this, both boys and girls are easy to understand, they say we are complex and difficult to get, and we say the same about them, but in the end we are from the same piece of paper. The only difference is that they don't like to show they emotions so easily as we do, and they aren't so obssesed with love and finding the right person to be with...with this I mean that they aren't so feminine, they are guys after all, their thing normally is terror movies, football or making out with some chick when they go out at night. Of course there are exceptions, and as I said in the beginning, there are many types of guys, and not all of them are necessarily like this.
For them we aren't that easy to understand, because they don't really think to much about putting themselves in our place, they just see what can be seen and what happens at their sight in a manner of speaking.
I came with this theme because I had nearly enough of hearing my friends at school complainning about how jerks guys can be, that is so unfair that if they sleep with five girls in a week they are the greatest and if it was a woman doing such thing she would be a slut (thought that I have to agree in that point, it's really unfair dudes xD)
So, after all I have said, tell me what do you think, either you are a guy or a girl, I would really like to hear opinions about this matter, to see what is your point of view, if you agree with what I have said or if you think that I'm wrong in some ways.
P.s - I'm sorry about any grammar or writting errors, but my english isn't exactly perfect, and I think I did a pretty good job doing all of this alone without the help of the google translator xD

terça-feira, 27 de agosto de 2013

Buried Secrets - Capítulo 1



Capítulo 1

“Vá lá Reyna, despacha-te! Estou mesmo a ver que vamos chegar outra vez atrasadas à tua pala, como sempre.” Reclamou a Jade pela milionésima vez enquanto eu tentava desfazer os embaraços do meu cabelo castanho ondulado à pressa com os dedos e olhava-me de forma avaliadora ao espelho da casa de banho.
“ Podes ter a certeza que não é a pôr-me com ainda mais pressa que fico despachada de vez. E alias, eles de certeza que já sabem que vamos chegar atrasadas, por isso acalma-te rapariga!” Gritei pela porta enquanto olhava-me pela última vez ao espelho para ter a certeza que estava tudo bem. “ Vamos, vamos, vamoooos.” Disse, entrando disparada na sala e agarrando na minha pequena mala de tiracolo castanha à pressa enquanto via a Jade abrir a porta e a dirigir-se a sete pés para o elevador.
Apesar de não ter muita vontade, ela e o resto do pessoal tinha conseguido convencer-me a ir com eles à pequena festa que o Three Hills ia fazer para comemorar o fim das aulas e o tão desejado início das férias de Verão. De certeza que estaria completamente animada e ansiosa por ir, se não me sentisse ainda bastante frustrada e irritada com a forma como a relação entre mim e o meu namorado estava a correr. Eu bem que suspeito que ele ainda gosta da melhor amiga, e na volta só está a usar-me para esquecê-la...Não seria a minha primeira vez a ser usada por alguém em que depositem a minha confiança de forma tão cega, mas óbvio que, mesmo assim, andava a cruzar os dedos para estar enganada.
Com este pensamento a passar-me pela cabeça não consegui evitar o suspiro que escapou pelos meus lábios, chamado a atenção da Jade, que me olhou com compaixão e compreensão ao perceber que eu devia estar bater outra vez na mesma tecla interiormente. Eu bem que queria deitar tudo cá para fora verbalmente outra vez, nem que fosse para as paredes, mas não seria por fazer isso que as coisas iriam mudar para melhor, e ela já estava bem farta de me ouvir falar sobre a forma como o Matt tem agido comigo ultimamente.
Se há algo a que já me habituei, relativamente aos meus relacionamentos amorosos, é que, misteriosamente, eles mal duram. Sempre pensei que a razão de tal acontecer era culpa minha devido à minha forma de ser e de agir, por isso durante uma pequena parte da minha adolescência dei por mim a tentar tornar-me na “rapariga ideal” para qualquer rapaz, aquela que não faz dramas, que não age como uma criancinha, que compreende e é doce e querida em todas as alturas, até mesmo naquelas circunstâncias em que uma rapariga tem todo o direito de ser ciumenta quando vê o seu homem agarrado a uma suposta amiga. Claro que ao tentar ser assim acabem por amadurecer em certos aspectos, mas felizmente que não demorou muito até se tornar tão claro como água que o problema definitivamente não era meu, mas sim dos meus ex’s. Na verdade, aqueles otários  nunca gostaram realmente de mim. Uns andaram comigo porque queriam apenas saltar-me para a espinha, se bem que na altura era demasiado ingénua para perceber ou querer admitir isso. E outros gostavam de mim, mas não ao ponto de quererem a relação séria que eu queria ter com eles. Realmente, quem me dera ter sorte no amor, pelo menos só um cadinho… A Jade, felizmente, demasiado ocupada em sair disparada do elevador para ir para porta do edifício onde vivo, não reparou no décimo longo suspiro que eu deixava escapar esta noite, senão de certeza que ela iria perguntar-me em que raio estava eu a pensar agora e assim que ela fizesse a pergunta, bem que podia apostar que nunca mais iria ouvir o fim do quanto depressiva eu estava a sentir-me.
Respirei fundo, uma, duas, três vezes, até ter minimamente a certeza que tal assunto como a minha vida amorosa não voltava a passar-me pelos neurónios tão depressa. Este meu mau hábito de pensar sobre coisas já mais do que sabidas e inúteis era difícil de largar, e definitivamente não ajudava em diminuir a minha frustração.
“Hey! Estava a ver que nunca mais se despachavam, mais um bocado e já estava a ligar-vos.” Disse o Cade, que nos esperava no fim dos pequenos degraus da porta de entrada do edifício.
“Desculpa, aqui a Miss Perfeição teve de mudar de vestido umas três vezes antes de conseguir decidir-se.” Respondeu a Jade, olhando-me de lado após ter revirado os olhos à tão previsível queixa sobre a nossa demora.
Ouvi o Cade a rir-se e a responder ao pequeno comentário dela sobre mim enquanto o meu olhar fixava-se no outro lado da rua, para a escuridão que preenchia as pequenas e estreitas ruas entre os outros prédios. Não conseguia explicar porquê mas desde o início desta semana que sentia-me a ser observada quando saia para ir ter com a Jade ou para deitar o lixo fora nos contentores que se encontravam no lado esquerdo do meu prédio, ao fundo da rua. Eu sou daquelas pessoas que até gosta do escuro, não após ter visto um filme de terror capaz de me fazer pôr a almofada à frente da cara e ter vontade de fugir a mil pés, mas achava-o agradável e relaxante até ao início desta semana quando comecei a jurar que via a sombra de alguém numa daquelas ruas ou alguma espécie de movimento na escuridão. Cada vez que virava as minhas costas sentia os pequenos cabelos no meu pescoço a levantarem-se como se fosse um alerta de que havia, muito provavelmente, um par de olhos em cima de mim. E agora, neste preciso momento, estava a sentir essa sensação outra vez.
Esfreguei os meus braços para tentar afastar esse estranho feeling e voltei a virar a minha atenção para os meus dois bons velhos amigos.
“ E que tal se nos puséssemos a andar daqui pra fora? É da maneira que não chegamos ainda mais atrasados.” Disse, fazendo um pequeno sorriso para acompanhar o meu tom sarcástico.
“Bem, aparentemente, hoje não és a única pessoa a estar atrasada, o Thomas acabou de mandar-me uma mensagem a dizer que só agora é que conseguiu sair de casa, e pediu para esperarmos por ele aqui.”
Ergui uma sobrancelha ao ouvir tal coisa. O Thomas e a Victoria normalmente eram os primeiros a chegar aos sítios onde combinávamos encontrar-nos todos. Problemas no paraíso, está-se mesmo a ver. Aqueles dois juntos pareciam lapas, e agora ele ia connosco para o Three Hills em vez de ir apenas com a Victoria…algo me diz que vou ter companhia para afogar as mágoas no álcool.
Dez minutos mais tarde o Thomas chegou e pusemo-nos a caminho para o bar, que ficava apenas a 4 blocos do meu prédio. Quando chegámos não havia sinais da Victoria, mas o Chad, a Lily e o Patrick já lá estavam, sentados numa das mesas ao fundo, com bebidas nas mãos e a conversar animadamente. O nosso grupo era praticamente todo casalinhos, o Chad e a Lily já namoravam praticamente há quase seis meses, o Thomas e a Victoria estavam quase a fazer três anos de namoro, o Patrick era alguém que muito recentemente se juntou ao nosso grupo mas já havia uma certa química entre ele e a Jade. O Cade e eu nunca namoramos um com o outro e nunca iremos, somos praticamente como irmãos, mas muitas vezes já ouvimos indirectas e directas de que éramos o único parzinho que faltava para “completar o círculo” e todas essas vezes eu e ele trocávamos um olhar e riamos ou gozávamos com a situação.
Verdade seja dita que chegou a haver uma altura entre nós os dois em que consideramos a hipótese de algo mais do que uma grande amizade, mas acabamos por chegar à conclusão de que era mesmo impossível, porque gostávamos um do outro apenas como irmãos. Bem…pelo menos eu só o conseguia ver como um bom e velho amigo.
Olhei em redor enquanto me dirigia ao balcão para pedir a minha vodka preta com Redbull, e reparei que o bar estava cheio de gente da nossa escola, nada de admirar claro, mas o que os meus olhos procuravam mesmo era o Matt, mas nem eles nem o seu grupo de amigos estavam por aqui, pelo menos por agora.
Enfim, passei o resto da noite a dançar e a conversar muito, e quando chegou a altura de irmos para casa, estava definitivamente demasiado estafada para moer a cabeça sobre o quer que seja. E até tinha realmente me divertido, o que deixou em mim uma sensação agradável de satisfação.
De caminho para casa, com a cabeça um pouco leve do álcool e entretida na conversa com a Jade e o Thomas, só reparei no tal movimento na escuridão quando abri a porta de entrada do meu prédio e dizia adeus aos meus amigos por cima do meu ombro, só que desta vez não dava para ter dúvidas de estar a ver coisas ou não, porque no momento em olhei para a tal estreita rua, um carro passou na estrada, iluminando-a e deixando-me ver um vulto, uma pessoa, com uma espécie de camisola preta com capuz. Não consegui ver-lhe a face, mas pela altura e aparente estrutura óssea tratava-se definitivamente de um homem. Assustada pelo facto de a minha sensação de ter andado a ser observada ser, aparentemente, tudo menos ilusória, apressei-me com a minha despedida e entrei no meu prédio, correndo na direcção das escadas, que felizmente seriam poucas para subir uma vez que os meus pais fizeram a boa escolha de viver no segundo andar.

segunda-feira, 26 de agosto de 2013

Buried Secrets - Prefácio

Buried Secrets


Prefácio 

Reyna Underwood é como qualquer outra rapariga nos seus 17 anos. Tem uma família e amigos que a adoram, sai à noite, tem problemas amorosos, preocupa-se com a sua aparência e blá blá blá, a mesma típica e aborrecida história de sempre. Mas a vida dela está longe de vir a ser tão banal como parece. E o que começou por ser um simples pressentimento vai acabar num túmulo de segredos e mentiras que ela vai desejar nunca ter remexido...